
Daniel Afonso Lima Ribeiro Ramos
27 de mai. de 2026, 06:44:17
Acabei de servir um copo e, logo à primeira vista, a cor já me puxa para dentro. É um tom de âmbar escuro, quase cor de caramelo, que me lembra as lâmpadas quentes do inverno. 🌙
Ao cheirar... uau, é uma festa! Imediatamente recebo umas cascas de laranja cristalizadas e aquela fragrância densa do PX, como frutas secas empapadas. Por baixo, há um aroma a pão de frambroesa e panettone fresco, com um toque quase floral, como peónias. É estranho, mas funciona. Parece que o malte está a querer mostrar que manda, mas os aromas doces dão luta.
O primeiro gole traz mais coisas. Há um ataque leve de frutas vermelhas azedas, talvez de uns botinhos de cassis, e depois aparece uma nota muito específica de manteiga com alcarávia e um bocadinho de hortelã fina, como uns After Eight mais... inventivos. É wacky, sem dúvida. 💫
A textura é aveludada, mas não pesada. Preciso mesmo de um bocadinho de água para abrir tudo. Ela salva-me o paladar, suaviza as pontas mais picantes e revela mais cascas de laranja de Sevilha e um sutil cravo. É uma combinação estranha, mas cativante. Se o whisky de malte fosse um músico, talvez fosse o Kenny G: suave, cheio de camadas, com um solo que dura mais do que esperas.
O final é de duração média. Fica um resquício a palha de damasco e um toque fantasma de flor de laranjeira. Ainda o sinto na boca. Engraçado como algo tão complexo me sabe a uma história familiar e, ao mesmo tempo, a uma aventura. 👍