
Henrique Miguel Matos
27 de mai. de 2026, 04:06:44
A cor é dourada pálida, quase translúcida, como um dia nublado no Algarve. À primeira vista, no nariz, veio-me à mente giz molhado e alcaçuz salgado – achei estranho, mas interessante.
Na boca, puxa, que salinidade! É como ter engolido uma onda do mar, mas de uma mane boa, sabe? O azeite de oliveira ali no fundo, mais discreto, e umas peras bem maduras. Mas o paladar é mais seco, mineral, quase domado.
No final, os frutos aparecem: manga, maracujá, e um toque cítrico como casca de limão. Fica o sabor do mar, defumado como peixe grelhado, e um fumo que me lembra cordas velhas de barco. Um whisky velho de quarenta anos, com carácter, o lado mais roqueiro da coisa 🎸.
É daqueles que fica na memória, cheio de alcatrão e azeite queimado por baixo. Um velho guerreiro do mar, que não morre nunca.