Matilde Coelho de Antunes
27 de mai. de 2026, 03:49:34
Hoje experimentei um whisky que me trouxe logo à memória um antigo bar local, com aquele aroma pesado de velhas nozes e giz. A cor era um dourado profundo, quase como mel escuro. Ao cheirar, vieram-me logo à ideia flores de laranjeira e sabugueiro, misturadas com um toque de marmelada e geleias de frutas. Havia também uma nota herbácea, quase como chás de ervas, e algo que me lembrou polen. Na boca, a textura era notavelmente oleosa e encerada, com uma mineralidade que lembrava uma lousa molhada. Sentia-se amêndoas amargas, um leve toque de curry e algo como pasta de marmelo alsaciana. Os sabores de figos e uvas passas surgiam, com um final levemente salgado e defumado. Adicionei duas gotas de água e, ai Jesus, a besta acordou! 🦁 As notas florais explodiram em geléias de flores, juntamente com um toque de bergamota e massepã. O carácter oleoso ficou ainda mais pronunciado, lembrando cera de abelha. Houve um momento em que pensei em patinhos travessos a brincar num lago primaveril... ridículo, eu sei, mas foi a imagem que veio à cabeça. No final, um whisky que pacifica e ao mesmo tempo desafia, como um monstro adormecido que de vez em quando estica as garras. Fiquei com um sabor agradável e incrível na boca, que me fez querer outro gole. 😌







