
Whiskyspace Portugal 1398
3 de jun. de 2026, 20:25:53
Hoje à noite, abri esta garrafa que tenho há um bocado. O aroma logo me lembrou maçãs verdes cortadas, como se tivessem acabado de partir a fruta. Mas havia também um cheiro estranho de plástico novo, quase como aquele cheiro de um amplificador novo na caixa, ou de uma saquinha de supermercado.
No paladar, é logo uma explosão de cera. Lembra-me aquelas maçãs enceradas que se vêem no supermercado, só que muito mais intensas. Um pouco austero, um bocado difícil de deslindar. Passado um momento, surge um toque de anis, semente de alcaravia e endro, como num chá de ervas, mas com aquele fundo de cera que nunca desaparece.
Tenho a sensação de estar a beber algo antigo e esquecido, como um baú cheio de coisas velhas que encontrei no sótão. A finalização é de palha e relva cortada, com um leve frescor de limão, como aquelas velas perfumadas que a minha avó punha na sala. Faz-me lembrar a iluminação dourada de uma velha máquina de som dos anos 70, com todos aqueles botões e detalhes em Baquelite. Às vezes, sinto também um toque de chás verdes litrosos, refrescante e cítrico.
É uma experiência curiosa, quase contraditória, entre o novo plástico e o que foi guardado há décadas. Gosto, mas tenho de estar com calma para apreciar cada camada. 🍏