Miriam Correia de Leal
27 de mai. de 2026, 02:44:55
Epa, que brilho dourado bonito, quase como sol líquido no copo. 🍯 Ao cheirar, fui atingido por uma onda de frutas tropicais — ananás, manga, papaia — como uma biblioteca inteira delas derramando-se pela borda do copo. Vinha com um perfume suave de sândalo e, de fundo, aquele aroma a antigos armários de medicamentos, quase como resinas. Quase que podia escrever um livro só sobre este nariz. Ao provar, uma surpresa marítima: sal, algas, espuma de praia, um toque de fumo de turfa gentil que sobe e ondula. Depois, as frutas todas aparecem de novo, mas agora com uma concentração perfeita, ganhando uns tons cítricos. Há ali umas notas de quintal, algo terroso, mas de forma quase elegante. O final é longo, um verdadeiro valsar de sabores que se prolonga... um pouco de chartreuse envelhecido, talvez, e doçura de mel. O fumo suave e o sal continuam a pairar. É uma daquelas coisas que te param de repente. Lindo de uma forma quase dolorosa. Uma gratificação que dura.







